acreditamos (temos que acreditar) que as palavras são a ferramenta que nos ajuda a manter a memória. porque o nosso destino do perecível nos despedaça ao esquecimento. mas quanto tolo somos por não desconfiar que são as palavras que estão impregnadas de nós. que elas agem a revelia do que queremos que permaneça.
as palavras nos chantegeiam a nos inventar porque para elas o perecível é também ferramenta. não importa o quanto eu queira me manter específico. as palavras já possuem um desvario que me leva pelo braço.
domingo, fevereiro 8
segunda-feira, fevereiro 2
a hora mágica
moravam naquela casa de esquina uma mulher muito grande e um homem pequeno que se apaixonaram. era muito difícil vê-los juntos pois tinham horários incompatíveis: ela era enfermeira e ele mecânico de precisão. as pessoas diurnas a conheciam, as noturnas, não. o mesmo, ao contrário, para ele.
mas ao contrário do filme "feitiço de áquina", havia uma hora que se encontram, próximo do pôr e nascer do sol.
nestas horas mágicas, quem quisesse, podia assistir no jardim da frente da casa os reencontros da mulher grande e do homem pequeno, todos os dias se conhecendo novamente.
todos que iam para o trabalho e todos que voltavam dele.
mas ao contrário do filme "feitiço de áquina", havia uma hora que se encontram, próximo do pôr e nascer do sol.
nestas horas mágicas, quem quisesse, podia assistir no jardim da frente da casa os reencontros da mulher grande e do homem pequeno, todos os dias se conhecendo novamente.
todos que iam para o trabalho e todos que voltavam dele.
quinta-feira, janeiro 29
os vidros do ônibus
estava com sono e acabei encostando a cabeça no vidro. apesar da noite, é a luz do interior do ônibus que desenha os vidros. no reflexo, vi uma moça em um prepicipio de chorar. faltava muito pouco.
era como se os óculos que usava ajudassem a impedir. os lábios tremiam e palpitavam seu medo pela falta de controle. eu pensava que faltava pouco para que ela chegasse em casa e que lá poderia sentir-se melhor em seu desespero.
ela olhava de vez enquando também para o vidro. mas ela não me via. o seu olhar atravessava o reflexo e a cidade. como se além da paisagem estivessem todas as suas almas perdidas e todas que ainda se perderão.
era como se os óculos que usava ajudassem a impedir. os lábios tremiam e palpitavam seu medo pela falta de controle. eu pensava que faltava pouco para que ela chegasse em casa e que lá poderia sentir-se melhor em seu desespero.
ela olhava de vez enquando também para o vidro. mas ela não me via. o seu olhar atravessava o reflexo e a cidade. como se além da paisagem estivessem todas as suas almas perdidas e todas que ainda se perderão.
sábado, janeiro 24
novo rumos
Vou imprimir novos rumos
Ao barco agitado que foi minha vida
Fiz minhas velas ao mar
Disse adeus sem chorar
E estou de partida
Todos os anos vividos
São portos perdidos que eu deixo pra trás
Quero viver diferente
Que a sorte da gente
É a gente que faz
Quando a vida nos cansa
E se perde a esperança
O melhor é partir
Ir procurar outros mares
Onde outros olhares nos façam sorrir
Levo no meu coração
Esta triste lição que contigo aprendi
Tu me ensinaste em verdade
Que a felicidade está longe de ti
sempre paulinho da viola.
ana, fuja não do casório!
Ao barco agitado que foi minha vida
Fiz minhas velas ao mar
Disse adeus sem chorar
E estou de partida
Todos os anos vividos
São portos perdidos que eu deixo pra trás
Quero viver diferente
Que a sorte da gente
É a gente que faz
Quando a vida nos cansa
E se perde a esperança
O melhor é partir
Ir procurar outros mares
Onde outros olhares nos façam sorrir
Levo no meu coração
Esta triste lição que contigo aprendi
Tu me ensinaste em verdade
Que a felicidade está longe de ti
sempre paulinho da viola.
ana, fuja não do casório!
domingo, janeiro 18
heloísa
o tempo de heloísa passou. quem viu diz que foi dos mais bonitos e cheios de significações. quem não, é bastante surpreendido com os testemunhos muitas vezes acalorados. eu vi parte, o final, em que quase não tinha quem visse e que não é considerado nos livros, se é que há algum escrito sobre heloísa.
sentei-me ao seu lado e perguntei sobre as árvores.
- não sei muito sobre elas. o que me contaram é que é uma boa referência para avaliar o perecível dos nossos corpos e memória já que tempo é uma abstração foda.
- nunca sentiu vontade de subir em uma?
- sim. quando desci dela pela primeira vez de uma.
sentei-me ao seu lado e perguntei sobre as árvores.
- não sei muito sobre elas. o que me contaram é que é uma boa referência para avaliar o perecível dos nossos corpos e memória já que tempo é uma abstração foda.
- nunca sentiu vontade de subir em uma?
- sim. quando desci dela pela primeira vez de uma.
domingo, janeiro 11
quinta-feira, janeiro 8
quarta-feira, janeiro 7
tema para rita
li mensagem dela dizendo que finalmente outro ano seu começou. na desconfiança pedi que explicasse porque é bem fácil apontar qualquer mudança de temperatura, humor, sabores e cor como mudança do próprio ano.
-- vou tirar uma foto do ano e te mando.
-- vou tirar uma foto do ano e te mando.
sábado, janeiro 3
segunda-feira, dezembro 29
parachutes filmes online!
* a lenta capta, o coração edita
pretendemos rodar 6 projetos ano que vem!
(isso que é promessa de ano-novo)
sexta-feira, dezembro 26
the tempest
we are such stuff,as dreams are made on, and our little life is rounded with a sleep.
shakespeare
shakespeare
. ano novo .
já é o segundo ano que vejo o novo ano como uma continuação. não que seja ruim. é como se os sonhos se organizassem e viessem a mim com paciência e calma. o tempo necessário para escolher cores e pintá-los.
tempo necessário para enxergar coisas invisíveis.
tempo necessário para enxergar coisas invisíveis.
terça-feira, dezembro 23
feijão
tenente jonas contou-me esta história em um treinamento para brigadista:
"-- a época de natal é muito estranha. todo ano alguém morre de feijão e solidão.
-- feijão?
-- sim. a demora de se cozinhar o feijão faz com que ele seja preparado primeiro. mas as pessoas que moram só, numa cidade como esta, cansadas, às vezes acabam dormindo enquanto esperam. o feijão se queima e exala monóxido de carbono que é letal. mata sem que se perceba.
-- nossa, que triste.
-- o mais triste é que todos sempre deixam o arroz já lavado."
"-- a época de natal é muito estranha. todo ano alguém morre de feijão e solidão.
-- feijão?
-- sim. a demora de se cozinhar o feijão faz com que ele seja preparado primeiro. mas as pessoas que moram só, numa cidade como esta, cansadas, às vezes acabam dormindo enquanto esperam. o feijão se queima e exala monóxido de carbono que é letal. mata sem que se perceba.
-- nossa, que triste.
-- o mais triste é que todos sempre deixam o arroz já lavado."
segunda-feira, dezembro 22
quinta-feira, dezembro 18
. espera .
-- é que eu acho realmente que essas coisas abandonadas por nós acabam nos retornando com assombros. não há sempre o horror, há também uma volta com delicadeza, com outros sentimentos ou os mesmos mas antes imperceptíveis. e esta é a minha dificuldade: tendo esperança que voltem, eu, no fundo, não consigo abandoná-las.
-- então não as abandone. deixe que elas te abandonem. é mais fácil para quem não espera.
-- então não as abandone. deixe que elas te abandonem. é mais fácil para quem não espera.
terça-feira, dezembro 9
. solidão .
eu escrevo coisas que a solidão me sussurra.
e escrevo torto e de propósito
para que ela desista de mim
e escreva por si só.
e escrevo torto e de propósito
para que ela desista de mim
e escreva por si só.
sábado, dezembro 6
. estar lá .
juliana sempre teve um porto seguro: joão. toda vez que se sentia mal ou que a vida lhe dava uma rasteira, o apartamento 23 de um prédio na rua lisbonera era um lugar para se estar. joão sempre lhe abriu a porta e cada vez que ia havia chás e essências diferentes.
que lembrasse um cheiro nunca se repetiu e não se lembrava de ter ido sem que tivesse motivo de tristeza.
até que hoje, depois de pensar em seus falidos amores, foi ter com joão. mas ele não estava mais lá. havia se mudado.
foi então que percebeu que seu porto era o coração de joão. e pior que enfrentar tempestades é não ter para onde voltar.
que lembrasse um cheiro nunca se repetiu e não se lembrava de ter ido sem que tivesse motivo de tristeza.
até que hoje, depois de pensar em seus falidos amores, foi ter com joão. mas ele não estava mais lá. havia se mudado.
foi então que percebeu que seu porto era o coração de joão. e pior que enfrentar tempestades é não ter para onde voltar.
segunda-feira, dezembro 1
madrugada
era madrugada, estava inquieto. fui para sala porque podia-se ver a rua. deserta e cheia de silêncio. observei as luzes dos postes, inúteis.
ela veio do quarto, sonolenta. não disse nada, esperou que eu falasse.
-- olhe estes postes, inúteis, para que iluminam tanto?
-- te trouxeram até a sala, te levaram de mim, já é alguma coisa, não?
ela veio do quarto, sonolenta. não disse nada, esperou que eu falasse.
-- olhe estes postes, inúteis, para que iluminam tanto?
-- te trouxeram até a sala, te levaram de mim, já é alguma coisa, não?
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