Domingo, Novembro 22

girassol

o colírio é a chuva de hidratar.
o cisco, o abudo de crescer.
o cílio, a madeira de moldar.
o piscar, o dia de volta.

para o beijo
que semeadura
teu olho
o girassol
ao redor
da íris.


em perspectiva,
o que desabrocha
está entre o que se vê (florece)
e o que é florido (visto).

para marcela

Terça-feira, Novembro 17

tsuru.10

não perca sua carteira. guarde um tanto de mente sã paras as engrenagens da vida concreta. as engenhocas da vida sonhada são imperfeitas (sonhando ser perfeitas), mas a física do mundo concreto não perdoa.

tsuru.09

ter a vida de pouco bons excessos.
velocidade para chegar mais cedo
e surpreender quem espera.

Domingo, Novembro 15

love love love

sou a soma de todas as mulheres que deixei de amar.
sou o excesso de amor que elas descobrirão.
o amor segundo e desmedido.

Quinta-feira, Novembro 12

tsuru.08

e se venta tanto pode ser que leve os cortinados do varal.
mas também pode ser que faça secar mais rápido.

tsuru.07

bonito é o teu coração dizer que é animal alado e imaginário.
o amor é o teu coração ter uma boca assim.

tsuru.06

que se invente o mar entre suas tripas.

tsuru.05

em dias frios, faça fogueira com aquelas memórias que não importam mais.

Segunda-feira, Novembro 9

tsuru.04

passarinho, vem fazer um ninho aqui ó!

tsuru.03

e esses gizes de cera, para o que são?

tsuru.02

um céu de brigadeiro.
uma noite de conversas.
um amor verdadeiro,
mas sem muita pressa.

tsuru.01

a cada dobra de papel, a cada forma peculiar, eu seco uma gota da sua solidão para os dias que se cuidar.

* retomando um projeto antigo, chamado "mil tsurus". republicarei os posts antigos, mas aviso quando for novo.

Quarta-feira, Outubro 28

. em portugal .

mariana blues em portugal!

bjs para natacha.

Domingo, Outubro 25

tokyo, tokyo

ando sonhando com tokyo.
passos semi-pisados em casa.
ela se faz de desentendida
tal qual pão sem nacionalidade.
todos os pães estão em tokyo.

tokyo é para onde nos desencontramos.
perdemos o eu para tornarmos parte.
sonho o desejo de me perder em tokyo
e em parte te encontrar.
as placas dizem a mais mentirosa verdade.

e teus olhos de estrangeira
reconhecerão em mim o país que também sonhou.
emitiremos os nossos passaportes amorosos
e imigraremos um ao outro.
de tokyo partem os corações que não voltam mais.

ando sonhando com tokyo.
estou prestes a me apaixonar.

Sexta-feira, Outubro 23

cheiro de chuva

todo cheiro é véspera.

Sexta-feira, Outubro 16

. terceira pessoa .

encontrei uma pessoa da qual uma amiga me falou bastante. ao me apresentar, ela me perguntou se eu era o marcio dos vídeos. e conversamos assim: como se os amigos comum fosse uma linguagem para perguntar sobre o que foi dito e o que poderia ser.

Terça-feira, Outubro 13

. passagem para mariana



video novo. saudades novas.

Sábado, Outubro 10

. o fim da poesia .

entre os vasos de temperos deixados a sorte,
havia um de poesia que resistia tal qual o alecrim.
sua dona, nestes dias de longe,
almoçava muito fora
e voltava muito cansada para jantar.
mas de manhã,
enquanto preparava o café rápido,
sempre via de relance a sombra de seus temperos da janela.
e os lábios rachados da secura do dia
faziam com que pegasse um copinho de água e irrigasse o que restava.

assim a poesia resistia a miséria como lembrança rachada.

Terça-feira, Outubro 6

. casa de baile .

havia uma noiva e um lago. e havia também águas que bailavam. o vestido não se arrastava e a tiara estava enfeitada com flores outonais. o céu ameaçou cinzas. os peixes, sonhar. os paparazzi perderam a graça com suas máquinas de captura.

e todos esperavam a música.

aproximando-me, eu vi a noiva rodar. pude perceber a armação que dava ao quadril a leveza aparente dos vestidos. os ombros nus. a boca que brilhava e o pó que amenizava a idade. na casa de baile, os convidados venceram seus cansaços.

quando a música parou, o vestido pousou. todos despediam-se e a noiva veio até mim:

- não quis bailar comigo?

- não, eu quis casar com você.

. almoço .

garçon mineiro sensível a solidão
deu-me um desconto no prato.
e sugeriu que pagasse uma bebida
a uma mulher que almoçava também só.