domingo, julho 6

be kind rewind - michel gondry

sempre desconfiei da política de autores no cinema. não que a considere inexistente, mas como tem sido discutida desde bazin sempre me soou um pouco ingênua. é bastante claro que o diretor de um filme imprime bastante o tom nos filmes que dirige, mas a autoria coletiva sempre me soou mais rico.

toda via, tenho que confessar, que espero com bastante ansiedade pelos novos projetos de michel gondry. se há um cinema de autor atualmente, em michel gondry ele encontra uma das suas maiores vertentes.

"be kind rewind", o último trabalho de gondry é genial. em uma única fita, ele consegue colocar na mesa a questão do impreviso do jazz, o jazz como fundamento da história cultural americana, o cinema como lugar de invenção e encontro, a questão da autoria e a industria de entreterimento, o universo pop do cinema americano e a trucagem como artesanato para a invenção dos sonhos, tal como seu compatriota, mélies.

pode parecer muitas questões sérias para um único filme, mas ao contrário de "the science of sleep", o roteiro é tipicamente americano com seus conflitos, ápices, descansos e final redentor, ou quase.

eu havia comentado com uns amigos que não gostaram muito de "the science of sleep" em comparação a "eternal sunshine" que embora o roteiro não seja tão genial quanto de kauffmann, há algo em "science" que é um passo a frente de "eternal", mas não sabia o que era. "be kind rewind" confirma uma direção.

3 comentários:

mari disse...

gondry é meu herói, cara! viva gondry!!!

alicia disse...

como assistir a esse filme, só baixando? pq os filmes do Gondry nunca chegam ao Brasil?

Marivone disse...

Chorei. Amei tanto que chorei. Acho que foi uma das mais belas homenagens ao cinema que já ví, bem singela.

;)

Fora que, as peripécias deles me lembra meus dias de diretora de curtas-metragens... bons tempos.